João Paulo Vaz

A lagartixa verde

 

texto: João Paulo Vaz

ilustração: Claudio Vaz e Giovana Vaz



  • Alice tinha cinco anos e João sete.
    Nos domingos, João e Alice quase sempre iam passear com os pais, depois do almoço.
    Mas, uma vez, num domingo de muita chuva, não houve passeio.
    João e Alice ficaram no quarto desenhando, e os pais foram dormir.
    Antes, a mãe disse:
    – Podem desenhar à vontade, mas só no papel. Não quero desenho nas paredes nem em vocês.
    João e Alice desenharam casas e navios, o Sol e a Lua, cavalos e flores, meninos e meninas, fadas e monstros.


  • Então, cansado de desenhar no papel, João pegou uma caneta verde do pai e desenhou uma lagartixa na sola do pé de Alice.
    Ela sentiu cócegas e riu muito.
    Riu tanto que a mãe acordou e eles pensaram que ela ia brigar, porque tinha dito que só podiam desenhar no papel.
    Mas não brigou, porque Alice ficou em pé e a mãe não viu a lagartixa.


  • No dia seguinte, porém, quando Alice acordou, tomou um susto.
    A lagartixa estava em cima do seu pé.
    Bem no peito do pé, com a cabeça virada para ela e o rabinho enrolado no dedão dela como se fosse um anel.
    Um anel de rabo de lagartixa no dedo do pé!


  • Alice achou aquilo muito engraçado.
    E calçou logo a meia vermelha para sua mãe não ver a lagartixa verde.
    Era segunda-feira. Dia de escola.
    E Alice foi com a lagartixa no pé, mas ninguém viu por causa da meia.


  • O dia seguinte era terça-feira.
    Logo que Alice acordou, olhou seu pé para ver a lagartixa.
    Ela não estava mais lá!
    Alice ficou triste.
    Gostava da lagartixa e de ter um anel de rabo de lagartixa no dedão do pé.
    Então, pensou: “A tinta deve ter se apagado. Vou pedir a João para desenhar outra”.
    Mas, quando ela foi falar com João, sabe o que ele descobriu?
    Atrás da perna dela, bem naquele lugar que tem o nome engraçado de batata da perna?
    A lagartixa!


  • Alice calçou depressa a meia comprida cor-de-laranja. E, naquele dia, foi para a escola com a meia laranja escondendo a lagartixa.
    Outra vez, ninguém viu.
    Todas as noites, enquanto Alice dormia, a lagartixa mudava de lugar.
    E, todas as manhãs, a primeira coisa que Alice fazia quando acordava era procurar a lagartixa.
    Foi assim que:
    Na quarta-feira, a lagartixa estava logo acima do joelho. E, então, Alice vestiu uma saia amarela bem comprida para esconder o joelho.


  • Na quinta-feira, a lagartixa estava na barriga. E Alice usou o vestido verde-claro.
    Na sexta-feira, a lagartixa apareceu no ombro de Alice. E ela vestiu a blusa azul de manga comprida.
  • Mas, no sábado, não ia ter jeito.
    Porque não tinha escola e eles iam à praia. E, na praia, não tinha como os pais não verem a lagartixa.
    A mãe ia brigar com eles porque tinham desenhado fora do papel.
    E o pai também, porque tinham usado a caneta dele.
    Então, na sexta-feira à noite, eles tiveram uma idéia: conversaram com a lagartixa.
    E, no sábado de manhã, sabe onde ela estava?



  • Na cabeça de Alice, escondida debaixo dos cabelos.
    Só aparecia um pouquinho da pontinha do rabo. Quase nada.
    Foram à praia e os pais nem viram.
    E ali a lagartixa verde está morando até hoje. Na cabeça de Alice.
    Só João e Alice sabem onde ela mora.



2 respostas para “A lagartixa verde”

  1. Diomercina Viana

    É uma historinha bastante infantil mas
    bem estruturada, e eu apesar dos meus 66
    anos, curto muito o mundo das crianças.

    • pablo

      Esse site me chamou atenção pela qualidade e conteúdo bem escrito. Gostaria de te dar os parabéns e mandar um grande abraço. valew

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